Trecho de um livro escrito há 164 anos.
Há momentos em que fico tomado de tal angústia, de tal espanto... Nesses momentos haverei de ter a impressão, e começo a crer nisto, que nunca poderei começar uma vida nova, pois já mais de uma vez julguei ter perdido todo o sentimento e toda a sensibilidade para quanto seja realidade e verdadeira vida (...) e apesar de que o passado não seja melhor, parece-nos que o foi, como se tivéssemos vivido mais placidamente (...) que não sentimos esses remorsos de consciência, que nos atormentam de modo tão doloroso e incansável, e não nos deixam gozar um instante de repouso nem de dia, nem de noite. "Que fizeste de teus anos? Onde enterrastes o teu tempo? Vivestes, ao menos? Ou não?" (...) olha que frio faz no mundo. Passarão ainda alguns anos, e então virá a espantosa solidão, virá com suas muletas a velhice trêmula, trazendo consigo a tristeza e a dor. Perderá suas cores o teu fantástico mundo, murcharão e morrerão teus sonhos, e como a folha amarela da árvore, igualmente se desprenderão de ti...

Fica sempre o meu "muito obrigada"